O fundamento de cada ponto do terreiro

A responsabilidade do Atabaque

Quem vê o atabaque tocando pensa em música. Quem vive o terreiro sabe que o atabaque é a voz que chama a espiritualidade, e quem toca segura a vibração de toda a gira.

O fundamento. Índios e negros já usavam o som do tambor para invocar o espírito, e a Umbanda guardou essa herança. O toque marca o ritmo da corrente, ajuda o médium a esvaziar a mente e firma cada linha que se apresenta. Cada toque tem seu tempo e sua linha: um ponto no toque errado desarmoniza a gira.

A hierarquia. Na casa existe o chefe do atabaque, a quem os outros tocadores pedem o axé antes de tocar. Na TUAC, os atabaqueiros fazem uma oração antes de começar. Médium de outro terreiro que deseja tocar pede licença ao guia chefe, ao pai de santo e ao chefe do atabaque. Os cantores são os curimbeiros, e a curimba tem o seu chefe.

Uma diferença de tradição. Na nossa casa, o tocador é chamado de atabaqueiro: o cargo de Ogã pertence ao Candomblé. Existem casas de Umbanda que usam o termo Ogã, e isso não as torna erradas: cada casa segue o seu fundamento.

A responsabilidade de quem toca. O atabaqueiro chega no horário, preparado e em resguardo como qualquer médium, porque não está só tocando: está sustentando a corrente. Atabaque não é lugar de exibição nem de improviso. O toque serve à gira, nunca o contrário.

A responsabilidade de quem ouve. O atabaque tem sua firmeza. Ninguém encosta, senta ou apoia objetos nele, e ninguém toca sem autorização, nem "só para testar".

Reflexão: quando o atabaque erra, a gira inteira sente. Quando ele firma, todos firmam junto. Quem toca o atabaque carrega nas mãos o coração da corrente.