O fundamento de cada ponto do terreiro
O fundamento de cada ponto do terreiro
Quem entra num terreiro de Umbanda pela primeira vez vê imagens, velas, guias, um atabaque, uma porta com firmeza. Para o olhar de fora, pode parecer decoração. Para quem vive a casa, nada ali está por acaso: cada ponto do terreiro tem um fundamento e uma função.
O Congá (o altar). É o coração da casa. Ali ficam as imagens dos Orixás e dos guias, e cada imagem representa uma firmeza daquela força no terreiro. A posição das imagens também é fundamento, escolhida pela espiritualidade da casa, com Oxalá ao centro. É para o Congá que o médium bate cabeça: entrega-se como servidor, não como dono.
A Tronqueira. Fica na entrada e é a firmeza do povo de Exu, os guardiões da casa. Exu não é o mal, como muitos ainda pensam. Ele segura a porteira, impede a aproximação de espíritos perturbadores e abre o caminho para que a caridade aconteça. Por isso a gira começa saudando o povo da rua: sem Exu, nada se faz.
A Cumeeira. Na tradição de muitas casas, é o ponto alto do terreiro, firmado para Omolu/Obaluayê, que zela pela saúde e pela passagem entre a vida e a morte. Ela cobre e protege todos que estão sob o teto da casa.
O Atabaque. Não é instrumento de festa. É ponto de força, tem sua firmeza e seu chefe, e por isso não se toca sem pedir licença. (Tem um artigo só dele nesta série.)
A firmeza do médium. Antes de cada gira, o médium firma o seu anjo da guarda com vela e água. É o pequeno ponto de luz que cada filho acende por si mesmo, lembrando que o terreiro também começa dentro de casa.
Como se portar. Quem visita não mexe em imagens, velas ou firmezas, não passa entre o médium e o Congá e não fotografa sem permissão. Quem é da casa cuida desses pontos com zelo, limpeza e silêncio.
Reflexão: o terreiro é um corpo vivo. Cada ponto sustenta o outro, como cada médium sustenta a corrente. Quem entende o fundamento de cada canto da casa aprende a pisar nela com respeito.